ESCREVENDO PARA O SOM

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#wecando TOPCASES

Contar a história de um filme, é como contar qualquer tipo de história. Criar conexões entre personagens, lugares, objetos, experiências e ideias.

Você tenta inventar um mundo que é complexo e repleto de camadas, como no mundo real. Mas ao contrário da vida real, em um bom filme surgem um conjunto de temas que incorporam uma linha ou arco claramente identificável, que é a história.

A ideia de alguns roteiros é tornar o banal/corriqueiro o mais “cinematográfico” possível, além de estabelecer um ponto de vista sobre determinado tema.

O público experimenta a ação através de sua identificação com personagens.

Sendo que cada um destes pode, obviamente, melhorar o roteiro.

Digamos que estamos escrevendo uma história sobre um cara que, quando menino, gostava de visitar seu pai na usina de aço onde trabalhava. O menino cresce e parece estar muito feliz com sua vida como advogado. Mas ele tem pesadelos inquietantes e ambíguos que eventualmente o levam a voltar para a cidade onde ele viveu como um menino em uma tentativa de encontrar a fonte dos maus sonhos.

A descrição acima não diz nada específico sobre o possível uso do som nesta história, mas eu escolhi elementos básicos da história que possuem grande potencial para o som.

Primeiro, será natural contar a história mais ou menos através do  nosso personagem central. Mas isso não é tudo. Uma usina de aço nos dá uma paleta enorme para o som. Mais importante ainda, é um lugar que podemos manipular para produzir um conjunto de sons que variam de banal a emocionante, de assustador a estranho, ou ainda reconfortante.

O lugar pode, portanto, se tornar um personagem, e ter sua própria voz, com uma gama de “emoções” e “humores”.

Tudo isso depende, evidentemente, de uma boa edição, mixagem e percepção dos responsáveis para que a aconteça.

O elemento de sonho na história cria uma porta aberta ao som como um colaborador. Em uma seqüência de sonhos, nós, cineastas, temos ainda mais latitude do que o normal para modular o som para servir nossa história e fazer conexões entre os sons do sonho e os sons no mundo para os quais o sonho está fornecendo pistas.

Da mesma forma, a “fronteira temporal” entre o período do “menino pequeno” e o período “adulto” nos oferece muitas oportunidades para comparar e contrastar os dois mundos, e a percepção deles. Durante uma transição de um período para o outro, um ou mais sons podem passar por uma metamorfose.

Qualquer som, em si mesmo, só tem tanto recurso intrínseco ou valor. Por outro lado, quando um som muda ao longo do tempo em resposta a elementos na história maior, seu poder e riqueza crescem exponencialmente.

http://filmsound.org/articles/designing_for_sound.htm

 

#wecando MAKING OF

Decobrindo velhos sons

 

DISCOVERING OLD SOUNDS